Thiago Carrapatoso
Novembro 22, 2007
O professor de antropologia da Universidade do Kansas, Michael Wesch, com seu grupo de pesquisa e seus alunos de seu curso, busca uma forma de compreender as mudanças que as redes, a colaboração e a distribuição de conteúdo online afetam na sociedade mundial. O seu grupo de pesquisa chamado YouTube Ethnography tem como objetivo gravar vídeos que demonstrem algumas das conclusões tiradas em sala de aula.
Um deles é o “The Machine is Us/ing us”.
Baseado no livro “Everything is Miscellaneous”, de David Weinberger, Wesch e seus alunos tentam mostrar como a informação ficou muito mais fácil se ser achada apenas por causa da utilização das tags. Se antes a organização ficava restrita a estantes e pastas, hoje, com a classificação por palavras-chaves, as informações podem ficar jogadas no ciberespaço e ser facilmente achadas. Isso provocou uma grande mudança na estruturação do conteúdo e no conceito da palavra relevância. O gatekeeper – quem organiza e seleciona a informação – foi extinto, acabando com o intermediário entre o conteúdo e o interessado. E uma das características da web 2.0 é exatamente essa: acabar com os intermediários. Todos estão conectados e próximos do que querem. A informação deixou de ser organizada de forma top-down para ser bottom-up. E é aí que entra a colaboração entre os usuários. Como diz Marshall McLuhan, no livro “McLuhan por McLuhan”: “Paradoxalmente, a era eletrônica da cibernetização está unificando e integrando, enquanto a era mecânica foi fragmentadora e dissociadora”.
Michael Wesch, além de analisar a inserção dessas novas tecnologias na sociedade, analisa como esses novos métodos podem influenciar na educação. Ainda com o seu grupo de pesquisa YouTube Ethnography, Wesch, por meio do Google Docs, compartilhou um arquivo com todos os seus alunos que tinha uma série de perguntas para uma pesquisa. Duzentos alunos entraram e responderam as questões sobre a situação acadêmica de cada um. O resultado do questionário foi o vídeo “A Vision of Students Today”.
Wesch não só mostra que a tecnologia influiu em toda a sociedade, como também denuncia um novo papel do professor: um guia para essas novas ferramentas. Como usar a tecnologia a favor da educação? Como as aulas podem sair do modelo criado no século XIX para se reformular e atender aos alunos do século XXI?
Será que a realidade offline – ou desconectada – ainda faz sentido na nossa sociedade da informação online? É para tentar achar essa resposta que o próprio Wesch está orientando um aluno a fazer um documentário com diversos professores da Universidade do Kansas.
Para muitos, a colaboração é a resposta mais viável e inevitável. Para testar os limites e o que se pode criar por meio da colaboração, um usuário do YouTube chamado MadV – famoso por vídeos em que faz mágicas – convidou seus espectadores a enviar vídeos similares ao seu convite.
Depois de um mês, ele montou um outro vídeo com algumas respostas:
Essa simples brincadeira mostra quão conectados e interligados estamos usando o ciberespaço para nos comunicarmos. A colaboração possibilitada pela web 2.0 tem caráter mobilizador e pode ser usada com diversos fins, como, por exemplo, montar uma enciclopédia.
Não satisfeito com essa demonstração de mobilização, MadV gravou um segundo chamado para que as pessoas postassem suas respostas no dia 5 de novembro.
No dia marcado, mais de 200 pessoas colaboraram com o pedido. Para MadV, porém, isso era pouco. Ele, então, gravou uma segunda convocação, com trechos de áudio que analisam justamente a colaboração nessa sociedade 2.0.
Se alguém quiser colaborar, MadV ainda não fechou o seu segundo vídeo colaborativo.